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Vale a pena ler este ARTIGO: O dia que Jesus chorou

O ano era de 1506 e Portugal fervia de intolerância alimentada pela Igreja católica.


Certo dia quando os fiéis rezavam pelo fim da seca e da peste que abatiam Portugal, alguém jurou ter visto no altar do Convento de Santo Domingo em Lisboa, o rosto de Cristo se iluminar — fenômeno que para os católicos presentes, só poderia ser interpretado como um milagre.

Um cristão-novo, que também participava da missa, tentou explicar que esse milagre era apenas o reflexo da luz, mas foi calado pela multidão que o espancou até a morte. Não bastou e atearam fogo nele. Ao mesmo tempo, mais dois frades saem segurando um crucifixo e gritando “Heresia!! Heresia!!”. A bola de neve começa a crescer – ou melhor, a bola de fogo. A multidão que passava rapidamente absorveu a narrativa (ou fake news) que “os Judeus eram os culpados pela seca, pela fome e pela peste que assolava o país – e que todos deveriam ser queimados”.

No meio do massacre chegaram os frades com outra fake news: “Quem ajudar a matar os judeus receberá absolvição de todos os pecados cometidos nos últimos 100 dias!!”. – Aí, você já imagina… em nome de Deus trouxeram o inferno para o Rossio em Lisboa. 3 dias de perseguições, torturas e assassinatos de 4.000 pessoas que queimaram em plena semana santa.

Esse foi o final do episódio que ficou conhecido como a Matança da Páscoa mas o início dele foi bem antes. Tudo começa sempre com a intolerância. Atos de extrema violência dificilmente nascem de uma hora para outra. Eles precisam de tempo para amadurecer. As narrativas chegam aos poucos e vão deformando os pensamentos e formando convicções cada vez mais fortes até se transformarem inevitavelmente numa agressão extrema. A intolerância é o ovo da serpente.

Você é livre para pensar o que quiser. Portanto, não me interessa se suas ideias ou convicções são de direita ou esquerda – Me interessa sua intolerância. Nossas certezas podem mudar com o tempo mas a cicatriz da intolerância é para sempre.

Você já se vê mais agressivo quando defende suas opiniões politicas? Já não tem mais paciência em algumas argumentações? Percebe sua raiva crescendo? O atrito das ideias começaram a gerar faíscas? O perigo está aqui. Bem nesse momento que você começa a achar normal um radicalismo que até bem pouco tempo atrás não cogitava. Você foi manipulado a pensar assim – aos poucos, sem perceber, a agressão passa a ser trivial, justificável.

O ovo está rachando.

É possível defender uma coisa e estar contra ela. Assim como fizeram os portugueses defendendo Deus e queimando os filhos dele. Você pode defender a democracia e estar contra ela. Qual lado da história está certo só o tempo dirá – este texto não tem partido político.

Não vamos jogar nossas relações e valores na fogueira porque sempre nos queimamos, também. Joguemos o ovo da serpente que um dia nos ofereceu a maçã. Joguemos a intolerância e Jesus não precisará mais derramar lágrimas para apagar nossos pecados.

Marcus Aragão Católico apostólico humano. Instagram: @aragao01


Via Blog do BG

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