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Mágoa, rancor e vingança


Ninguém tem dúvida da fragilidade humana. Está tudo bem conosco, mas basta uma simples frustração para nos causar desequilíbrio emocional. Somos vulneráveis demais. Ficamos magoados quando sentimos tristeza por algo que nos desagradou. É um efeito cascata: a mágoa gera decepção que é dreno da admiração sem o qual não se sustenta fortes laços. 

Tudo isso pode piorar e evoluir para algo mais profundo, o rancor. Sensação que aprisiona, causa sofrimento e amargura. Viver rancoroso é viver prisioneiro da dor. Um indivíduo se torna sensível à magoa a ao rancor quantas vezes foram as suas vivências com esses sentimentos. Quanto mais machucado, mais frágil. Isso porque nossa memória emocional armazena os fatos numa “gaveta” mental, e a cada novo golpe essa gaveta é aberta e todas as mágoas anteriores são vislumbradas. 

Devemos ter a capacidade de levantar dos nossos tombos. Porém, é igualmente necessário que o outro zele por sua conduta. Há um ditado que diz: “Cada um está enfrentando uma batalha. Na dúvida, seja gentil”. Alguém que se declara magoado e rancoroso costuma ser mal visto, criticado e julgado de “menos evoluído”. Mas é preciso ficar atento a esse julgamento. Para existir o magoado é preciso que haja o agressor e esse sim deve ser visto com olhos mais criteriosos. Caso contrário, corremos o risco de culpar quem sofre e isentar quem agride. 

Um subproduto da mágoa e do rancor é a vingança. Nem sempre ela vem no pacote, mas dependendo do traço de personalidade de uma pessoa, ela não consegue conter seus impulsos vingativos. A vingança é, muitas vezes, uma tentativa de fazer justiça, um reparo, uma compensação ao prejuízo sofrido. Uma espécie de acerto de contas inconsequente. 

Em torno de 1780 a.C, no reino da Babilônia, foi criada a Lei de Talião, por meio da qual era permitido fazer justiça, desde que proporcional ao crime. O “olho por olho, dente por dente” visava impedir que a justiça fosse feita de forma desproporcional. Tal crime, tal pena.

É sabido que o ser humano nasce com instinto de atacar quem o agrediu. Isso está presente até em uma criança, que, ao ser lesada, revida imediatamente, sem culpa e sem medo. Há estudiosos que defendem que o sentimento de vingança é tão natural quanto o de amor e ódio. Mas, pelo fato de ser condenado social e religiosamente, tende a ser mais reprimido do que realizado. 

É o caso de Thomas Hobbes, filósofo inglês e autor da obra “Leviatã”, de 1651, em que aponta que o estado natural do homem é a guerra, só podendo adquirir a paz por meio de um contrato social. A forma de lidar com as frustrações da vida varia de acordo com cada pessoa tendo em vista sua personalidade, característica e freios morais.


Simone Demolinari

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