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  • Ricardo Adriano do Nascimento

Em entrevista ao Agora RN, Ney Matogrosso revela voto em 2018 e dispara sobre a política

A entrevista foi concedida ao repórter Robson Bezerra na quarta-feira (24)


Robson Bezerra

25/11/2021 | 13:00

Em um ano especial, Ney Matogrosso celebra seus 80 anos com disco novo, biografia, retomada aos palcos e muitas parcerias musicais. Em passagem rápida pelo Rio Grande do Norte, para um show em Natal, o cantor mato-grossense abriu um espaço em sua agenda para bater um papo com o Agora RN e contou sobre seu caso de amor antigo com os seus fãs potiguares, política, pandemia, drogas, música. A entrevista foi concedida ao repórter Robson Bezerra na quarta-feira (24).

AGORA RN – Ney, o seu novo disco “Nu com Minha Música” é um disco ora romântico, ora sensual, rock, e como exemplos temos “Se não for amor eu cegue”, “Boca”, “Guita”. Como se deu a escolha das músicas, tem alguma associação ao cenário atual, foi aleatório?

NEY MATOGROSSO – “Na verdade, foi uma escolha completamente despreocupada de qualquer coisa, ser popular, de tocar,não tocar, só com coisas que eu queria cantar. Esse foi feito para mim, para festejar meus 80 anos, essa foi a intenção do disco, já que eu não podia dar festa resolvi fazer um disco".

A entrevista foi concedida ao repórter Robson Bezerra – Foto: Crystian Padilha/Photos.a2
A entrevista foi concedida ao repórter Robson Bezerra – Foto: Crystian Padilha/Photos.a2

AGORA RN – Você sentiu falta dos palcos?

NEY MATOGROSSO – Ah, muita…

AGORA RN – A gente viu que, diferente de outros artistas, você não quis fazer lives, porquê?

NEY MATOGROSSO – Não, não gosto. Eu acho que é vazio, não repercuti… É muito estranho. Eu vi as pessoas fazendo e eu não tinha nenhuma vontade de fazer.

AGORA RN – São 80 anos, quase 5 décadas de carreira (completos em 2023), disco novo, livro. Em 2021 você fez parceria com a Duda Breck, e também com outras pessoas?

NEY MATOGROSSO – Fiz com muita gente, durante a pandemia eu participei de 8 discos de 8 pessoas. Sempre que parece que eu gosto da música, eu faço. O primeiro foi o da Gabi Amarantos, o “Escorpião”, a música é do Jaloo.

AGORA RN – 2021 foi um dos anos que você mais trabalhou, produziu?

NEY MATOGROSSO – Olha, na verdade, ficou tudo amontoado em um momento só.

AGORA RN – E ainda tem o “Bloco Na Rua” que é o show que você traz novamente a Natal

NEY MATOGROSSO – É, mas o “Nu com A Minha Música” eu não pretendo que vire show. É só uma coisa minha mesmo… É um cd, são 12 músicas, mas eu não vou fazer show, porque ali, na verdade, são 4 bandas diferentes.

AGORA RN – Chegar aos 80 fez alguma diferença?

NEY MATOGROSSO – Nenhuma. Eu acho que com saúde, a gente faz tudo.

AGORA RN – Você chegou a usar a data, pandemia, pra fazer algum balanço?

NEY MATOGROSSO – Não. É porque 80 anos é simbólica, então eu quis fazer por isso. Por não poder dar festa de aniversário, eu resolvi gravar um disco para ser um registro dessa data.

AGORA RN – E quando você vai cantar, se apresentar, tem rituais?

NEY MATOGROSSO – Meu ritual é que eu chego muito cedo nos teatros, fico lá umas 3 horas antes, depois eu passo o som com os músicos e aí fico no meu camarim e vou me arrumar, levo mais de uma hora nisso e no final eu fico ali uns 10 minutos no escuro no palco ali atrás.

AGORA RN – Para manter a alta performance, física e vocal, você tem uma preparação?

NEY MATOGROSSO – Física sim, vocal nenhuma.

AGORA RN – Nem um fonoaudiólogo?

NEY MATOGROSSO – Não. Já precisei, já usei, mas eu não tenho.

AGORA RN – Ney, você já teve várias fases na sua vida, e talvez uma das que poucos conhecem é a hippie. Na sua biografia fala dos seus talentos, você fazia adereços com couro…

NEY MATOGROSSO – Sim, fazia um trabalho artesanal, onde eu transformava couro em joias. Dava banho de colas e vernizes e transformava. Eu vendia muito mais aos gringos do que aos brasileiros.

AGORA RN – Ainda mantém essa alma hippie?

NEY MATOGROSSO – Tenho!

AGORA RN – Você ainda faz o artesanato?

NEY MATOGROSSO – Não faço, mas eu ainda mantenho o espírito mantendo os mesmo ideias.

AGORA RN – Quais?

NEY MATOGROSSO – Paz na Terra, amor entre as pessoas, respeito ao próximo.

AGORA RN – E no livro também é falado da tua relação inicialmente conturbada com seu pai… Quando ela melhorou?

NEY MATOGROSSO – Melhorou antes da carreira. Isso que eu acho importante. A gente passou a conviver bem antes da minha carreira de artista.

AGORA RN – Foi antes do sucesso…

NEY MATOGROSSO – Exatamente. No auge da pobreza. A gente se entendeu…

AGORA RN – O processo Fishcer-Hoffman, aquela terapia em que você precisa “matar” pai e mãe, ajudou você a superar seus traumas?

NEY MATOGROSSO – É um processo que basicamente busca todas as influências paternas e maternas, e você tem que descobrir, que nós não somos quem deveríamos ser, nós somos ou a reprodução do que eles querem deles ou você nega a presença deles e você se torna uma outra pessoa, não na que você deveria ser. O trabalho é esse, você tem que “bater” um pneu que é sua mãe, seu pai, depende do momento, e tem que despejar o ódio reprimido que a gente não sabe que tem.

AGORA RN – Então este processo mudou mesmo a sua relação com eles?

NEY MATOGROSSO – Olha, o que o processo fez comigo foi me revolver na lama, porque o negócio começou de verdade quando acabou o processo e eu na minha vida, foi quando eu comecei a entender muitas coisas. Quando as pessoas pediam para eu falar (do Fischer-Hoffman), eu começava a tremer, e depois tomei Daime 1 ano e meio.

AGORA RN – E sua relação com as drogas. Experimentou tudo e saiu de tudo?

NEY MATOGROSSO – É. Eu achava que tinha a liberdade pra experimentar tudo o que eu quisesse.

AGORA RN – Se arrepende de ter usa alguma delas?

NEY MATOGROSSO – Não, no sentido que foi tudo útil pra mim, tudo que eu tomei… Porque nunca tomei nada pra ficar doidão e ir pra festa, pra mim sempre foi uma coisa assim de estimular minha consciência. De autoconhecimento. Tanto as drogas que eu tomei, quanto ao Daime, eu estava atrás de uma religião. Porque ali era uma coisa religiosa, mas eu vi que o Daime era muito útil para esse encontro com você próprio, um olha para dentro. Mas isso tudo já passou, foi um momento, nem estou aqui levantando qualquer bandeira.

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AGORA RN – Ney, e a política, como você ta enxergando esse momento?

NEY MATOGROSSO – Um horror generalizado.

AGORA RN – Tem fé que as coisas melhorem?

NEY MATOGROSSO – Olha, eu tenho a ilusão e a esperança de que sim. Que na próxima eleição isso tudo mude.

AGORA RN – Você enxerga opções?

NEY MATOGROSSO – Qualquer uma outra.

AGORA RN – Você não costuma se manifestar politicamente no palco…

NEY MATOGROSSO – Eu tenho meus ideais políticos, mas eu não acho que o palco seja um lugar para eu ficar falando disso.

AGORA RN – Por quê?

NEY MATOGROSSO – Porque ali eu to pra cantar, num to ali pra fazer política, nem a convencer ninguém a nada.

AGORA RN – Mas na sua vida fora dos palcos, a gente vê que você tem um lado político, posições muito fortes.

NEY MATOGROSSO – Sim. Sempre me posicionei. Só acho que o palco não é um lugar. Eu vejo muita gente usar o palco para isso, mas não acho que o meu lugar de falar de política seja ali.

AGORA RN – Se a eleição fosse hoje, você teria algum candidato?

NEY MATOGROSSO – Eu não votaria em quem está lá. Na verdade é uma coisa que a gente ainda não sabe (os candidatos), não para de aparecer gente, tem muito chão daqui para lá.

AGORA RN – Você votou em Ciro na última eleição, votaria novamente?

NEY MATOGROSSO – É uma opção. Talvez eu vote no Ciro, se ele se candidatar. Tudo depende.

AGORA RN – E no Rio de Janeiro, onde você mora atualmente, como você enxerga os reflexos da política atual?

NEY MATOGROSSO – O Rio de Janeiro está cheio de mendigos pelas ruas, impressionante. Você encontra isso em cada rua. Tem muito haver com a falta de políticas públicas e também a Covid.

AGORA RN – Agora falando do Rio Grande do Norte, você tem uma relação de anos com os potiguares. Conta um pouco sobre isso!

NEY MATOGROSSO – Eu venho aqui há muitos anos, gosto muito de vir. Aqui eu já apresentei todos os meus trabalhos, tudo que faço já mostrei aqui. Tenho um carinho especial. E tem essa beleza de mar, essa temperatura (do mar).. No Rio de Janeiro não dá pra entrar no mar, água muito poluída e gelada.

AGORA RN – E Sagi, praia de Baía Formosa, a gente sempre ver fotos suas por lá!?

NEY MATOGROSSO – Sagi, é por causa do Tavinho (amigo), que fui parar lá, e adorei. Passei temporadas lá, possivelmente vou passar outras.